segunda-feira, 7 de novembro de 2011
10% dos professores no país fazem 'bico'
Docentes procuram uma segunda ocupação mais do que padeiros, corretores de imóveis e PMs, segundo estudo
Para especialistas, média salarial não é única explicação para impulsionar o professor à dupla função
FÁBIO TAKAHASHI
DE SÃO PAULO
ELTON BEZERRA
COLABORAÇÃO PARA A FOLHA
Semanalmente, a professora de ciências Sonia Maria de Barros Cardoso, 52, leciona 32 horas em duas escolas públicas no Rio. Seu salário é de R$ 1.800.
Para complementar, vende cosméticos, o que lhe rende R$ 1.000 mensais em oito horas semanais. "Em datas comemorativas, chega a ficar igual ao que ganho no magistério", afirma a docente.
Como Sonia, outros 266 mil professores da educação básica do país possuem uma segunda ocupação fora do ensino, um "bico", aponta estudo apresentado no mês passado pelos pesquisadores da USP Thiago Alves e José Marcelino de Rezende Pinto.
O número representa 10,5% do magistério nacional, índice bem acima do da população brasileira (3,5% têm uma segunda ocupação). O estudo usa a Pnad-IBGE e o Censo Escolar-MEC, ambos de 2009, e abrange as redes privada e pública.
Alguns dos mais frequentes "bicos" dos docentes são os de vendedores em lojas e os de funcionários em serviços de embelezamento.
Segundo a pesquisa da USP, os professores recorrem mais à segunda ocupação do que os padeiros, os corretores de imóveis e os PMs.
POLÊMICA SALARIAL
Para os autores do estudo, a maior incidência do "bico" entre os professores está relacionada aos baixos salários.
A média salarial dos docentes do ensino fundamental, segundo a pesquisa (entre R$ 1.454 e R$ 1.603 à época), é inferior ao que ganham, em média, corretores de seguro (R$ 1.997) e caixas de bancos (R$ 1.709).
"O professor, com isso, é obrigado a despender energia em ações que não têm a ver com aulas", diz Alves.
Para alguns especialistas, no entanto, a questão não é tão simples.
"Os salários não são uma maravilha, mas, se comparados à média da população, os professores não estão morrendo de fome", afirma Simon Schwartzman, pesquisador do Instituto de Estudos do Trabalho e Sociedade.
"Sempre que há concurso para contratação de professores para as redes públicas há uma grande concorrência. Se a profissão fosse tão ruim, não haveria fila", diz Samuel Pessoa, da FGV.
quarta-feira, 2 de novembro de 2011
Manifesto da ocupação na USP-Butantã!!!!!!!!!!!!
Manifesto da ocupação na USP-Butantã!!!!!!!!!!!!
por Ocupa Usp, segunda, 31 de Outubro de 2011 às 17:42
Nós, estudantes da USP, organizados no movimento de ocupação e com apoio dos trabalhadores, lançamos este manifesto a fim de nos posicionarmos frente à sociedade sobre o que vem ocorrendo na Universidade de São Paulo.
Há uma política repressora que tem avançado contra aqueles que lutam por uma Universidade pública. As ações da reitoria da USP para aprofundar o processo de privatização tem se intensificado – o que se produz dentro da universidade cumpre, cada vez mais, o propósito de atender aos interesses do mercado em detrimento dos interesses de toda população. Com o objetivo de desmontar o caráter público da USP, a reitoria vem tomando medidas para eliminar as forças de resistência na Universidade. Mais de 26 estudantes, além de vários trabalhadores e professores, estão sendo processados por se manifestarem politicamente, através de processos administrativos que visam a eliminação e demissão da Universidade, e processos criminais que visam a prisão.
Com a justificativa de garantir a segurança, o reitor da USP instaurou, por meio de um convênio, a presença da polícia militar no campus. Com o avanço das perseguições políticas fica evidente que o real objetivo da polícia militar na USP não é o de inibir crimes, mas sim de inibir e combater manifestações políticas e cercear o direito de expressão livre de estudantes e trabalhadores.
Num contexto de crise sistêmica do capitalismo, se evidencia, em todo o mundo, o papel da polícia como aparelho armado de repressão aos movimentos sociais que resistem ao avanço da desigualdade e ataques a direitos históricos da população. Na Grécia, durante os protestos contra as políticas de austeridade, os manifestantes têm sido duramente reprimidos. Em Londres e em Madri a situação é muito semelhante. No Chile, um milhão de estudantes vão às ruas exigindo uma educação pública e gratuita, e a violência contra manifestantes é igualmente dura.
No Brasil, os conflitos em 2009 em Paraisópolis, a repressão cotidiana das UPPs aos moradores dos morros cariocas, e as violências policiais contra ambulantes em luta no centro de São Paulo indicam o mesmo sentido da atual militarização da USP: a repressão policial são ataques àqueles que lutam por seus direitos elementares. E essa repressão, destaque-se, é mendaz: a própria ONU, entidade legitimadora do imperialismo, reconhece a polícia brasileira como sendo a que mais mata no mundo.
No dia 08/09/2011, o Reitor João Grandino Rodas, sustentado institucionalmente por um Conselho Gestor antidemocrático (apenas 30 % dos membros representam trabalhadores e estudantes juntos), assinou um convênio com a Polícia Militar. Para mascarar os reais propósitos do convênio Rodas-PM, a reitoria da USP se utilizou de maneira oportunista da morte do estudante Felipe Ramos de Paiva, que ocorreu dentro do campus. O que foi omitido é que no dia do assassinato a PM já estava agindo na universidade – inclusive fazendo blitz em frente ao local da ocorrência. Nos últimos dias, para legitimar as violências ocorridas na USP sem explicitar seu caráter político, também se utilizaram de maneira oportunista do mote do “combate as drogas” para, assim, justificar todo clima de medo que têm promovido dentro da Universidade diariamente. Nos morros do Rio e em todas as periferias brasileiras, a repressão possui a mesma faceta: se utilizam de argumentos como o combate ao tráfico de drogas para atacar as liberdades mais elementares de todo o povo pobre.
O que a mídia não denuncia é que a polícia que enquadra estudantes na USP por porte de maconha é a mesma policia que age com o narcotráfico, recebendo o lucro das vendas com uma mão enquanto reprime com a outra.
O que a mídia omite é que a polícia que invade casas na favela e atira em mulheres e crianças com a justificativa de prender traficantes é a mesma polícia que é sócia do tráfico. Isso expressa a hipocrisia de combater o narcotráfico nas universidades e nas favelas, pois os verdadeiros promotores e beneficiados desse mercado, um dos mais lucrativos do mundo, são as industrias farmacêuticas, a polícia, as clínicas privadas, entre outros.
Essa repressão tem avançado, pois a lei vigente que supostamente descriminaliza o porte de maconha só funciona como uma cortina de fumaça, erguida pelo sistema para dificultar o aprofundamento do debate sobre a legalização da maconha e para criminalizar a pobreza, movimentos sociais e ativistas políticos.
A atuação da PM em nosso Campus na última quinta feira (27/10) foi apenas mais um de uma série de episódios de acuação de estudantes e servidores da USP pela PM. Na semana passada estudantes da Escola Politécnica foram abordados dentro de seus Centros Acadêmicos. Na Escola de Comunicação e Arte (ECA) um estudante foi revistado pela polícia com a justificativa, no mínimo estranha, de “olhar feio” aos policiais. Nos últimos meses, não foram poucas as averiguações dentro dos Centros Acadêmicos, o que não impediu um roubo no Centro Acadêmico da ECA, apenas uma semana após a revista da PM no local. No dia que culminou com esta ocupação, professores e estudantes foram abordados e revistados em frente à biblioteca da Faculdade de Filosofia Letras e Ciências Humanas (FFLCH). E nessa mesma faculdade, horas mais tarde, três alunos foram detidos por políciais da ROCAM. Ao tentarem impedir a detenção desses colegas, deliberadamente defendida pela diretora Sandra Nitrini, centenas de estudantes foram atacados com bombas de efeito moral, gás lacrimogênio, spray de pimenta, cacetetes e balas de borracha. Vários estudantes foram feridos. Respondemos como pudemos – ou seja, correndo e arremessando paus e pedras.
O discurso da reitoria tentou justificar a intervenção policial utilizando de maneira oportunista o assassinato de Felipe Ramos Paiva.
Outros casos, entretanto, não foram igualmente veiculados pela mídia e pela reitoria – e isso não foi por acaso. Um desses casos foi o da morte do estudante Samuel de Souza, morador do Conjunto Residencial da USP (CRUSP). Ele era negro, pobre, baiano e estudava Filosofia. Samuel morreu dentro da USP por negligência médica da reitoria em relação a uma política de saúde nos campi da USP. Também houve a morte de Cícera, funcionária da lanchonete da Pedagogia, assassinada na favela São Remo, decorrente de uma “bala perdida” disparada pela Polícia. A hipocrisia do discurso da reitoria, que diz combater a violência, fica claro quando sua própria política de precarização foi responsável pela morte do trabalhador terceirizado de limpeza, José Ferreira, em decorrência de um acidente de trabalho.
Tais relatos nos impõe o questionamento: ao que se presta, de fato, a presença policial na USP?
O objetivo real da presença policial é garantir a execução de um projeto de universidade, ostensivamente defendido pelo Reitor João Grandino Rodas. Esse projeto político busca submeter a Universidade aos interesses de empresas e fundações privadas, cujo único objetivo é a maximização de seus próprios lucros: e é por isso que as pesquisas sem viés mercadológico são cada vez mais raras na Universidade. A estrutura que sustenta tal projeto é referendada apenas por um pequeno grupo de pessoas, imerso em relações políticas bastante duvidosas com grandes empresas, fundações e o próprio governo do estado de São Paulo. Com a diminuição da verba para trabalhadores efetivos, o aumento da contratação de terceirizados, e sem garantias de contratação de professores e reposição dos aposentados, a universidade que já é fechada para a maioria da população, em especial pobres e negros, se torna ainda mais exclusiva, elitista e mercadológica sob a administração de Rodas, levada a cabo com a mão repressora da Polícia Cívil e Militar.
Simultaneamente à repressão policial, que ocorre tanto na USP quanto fora dela, a reitoria tenta extinguir os espaços políticos e culturais de organização dos estudantes, como o Núcleo de Consciência Negra, que foi fundado há 23 anos na USP e até o momento não foi legitimado pela universidade, sofrendo com ameaças de demolição do barracão onde desenvolve suas atividades. O CANIL - Espaço Fluxus de Cultura, um dos poucos espaços culturais estudantis da USP-Butantã, sofreu uma tentativa de demolição, que foi barrada pelo conjunto de estudantes. A Moradia Retomada, ocupada devido ao déficit de vagas no CRUSP, continua ameaçada por um mandato de reintegração de posse solicitado pelo Reitor. E o espaço do DCE Ocupado, após reforma, seria re-inaugurado não mais como um espaço autônomo, mas como “Centro de Vivência da Reitoria” – o que foi impedido pelos estudantes.
A reitoria tenta silenciar todos os movimentos de resistência da Universidade com uma avalanche de processos. Os processos administrativos baseiam-se no Decreto 52.906, de 1972, Regime Disciplinar instituído sob a égide da Ditadura Militar, que vigora no estatuto da USP como “disposição transitória” há algumas décadas.
Segundo este decreto, são considerados atos de “indisciplina” de estudantes, trabalhadores e professores, passíveis da punição, expressa no artigo 248, inciso IV, de “eliminação”, as seguintes práticas: artigo 250 inciso VIII - “promover manifestação ou propaganda de caráter político-partidário, racial ou religioso, bem como incitar, promover ou apoiar ausências coletivas aos trabalhos escolares (greves)” ; inciso IV -“praticar ato atentatório à moral ou aos bons costumes”;inciso II “ (...)afixar cartazes fora dos locais a eles destinados”. As acusações que baseiam os processos tratam ações políticas legítimas como desvios de comportamento e são, ou questionáveis, ou deturpadas. Alguns dos processos foram abertos com base apenas em Boletins de Ocorrência que apresentam, como de praxe, uma versão unilateral dos fatos. No caso dos processos criminais, coloca-se a ameaça de prisão de pessoas com base em acusações forjadas pela Consultoria Jurídica da reitoria para levar a cabo sua perseguição política. As testemunhas em favor da reitoria geralmente são membros das chefias, das guardas ou outros que, tendo vínculos empregatícios com o denunciante, têm seu testemunho enviesado. Esta é uma das maneiras de se produzir as provas falsas. É no mínimo estranho que tenha sido criada, por exemplo, uma delegacia especial para tratar da repressão às ações políticas dos trabalhadores. Lembrando que em 200 um dos diretores do Sindicato dos Trabalhadores da USP foi demitido por lutar contra a precarização e terceirização na universidade. A reitoria tenta hoje preparar terreno para avançar rapidamente com as punições contra estudantes, trabalhadores e professores dissidentes da ordem privatista que vem sendo estabelecida. Por isso decidimos cobrir os rostos: pela real ameaça de represália política - e não porque somos ou nos sentimos criminosos.
Por esses motivos, somos contrários aos processos contra estudantes e trabalhadores e pela revogação completa destes decretos e processos criminais e administrativos! Somos pela revogação imediata do Convênio entre a PM e a USP! FORA PM!
Manteremos nossa ocupação até que todas as nossas reivindicações sejam atendidas.
terça-feira, 1 de novembro de 2011
A Autonomia da USP em Risco !

A Autonomia da USP está em risco!
Lincoln Secco, Livre Docente em História Contemporânea na USP
Não é comum ver livros como armas. Enquanto no dia 27 de outubro de 2011 a imprensa mostrou os alunos da FFLCH da USP como um bando de usuários de drogas em defesa de seus privilégios, nós outros assistimos jovens indignados, mochila nas costas e livros empunhados contra policiais atônitos, armados e sem identificação, num claro gesto de indisciplina perante a lei. Vários alunos gritavam: “Isto aqui é um livro!”.
Curioso que a geração das redes sociais virtuais apresente esta capacidade radical de usar novos e velhos meios para recusar a violação de nossos direitos. No momento em que o conhecimento mais é ameaçado, os livros velhos de papel, encadernados, carimbados pela nossa biblioteca são erguidos contra o arbítrio.
Os policiais que passaram o dia todo da ultima quinta feira revistando alunos na biblioteca e nos pátios, poderiam ter observado no prédio de História e Geografia vários cartazes gigantes dependurados. Eram palavras de ordem. Algumas vetustas. Outras “impossíveis”. Muitas indignadas. E várias poéticas... É assim uma universidade.
A violação da nossa autonomia tem sido justificada pela necessidade de segurança e a imagem da FFLCH manchada pela ação deliberada dos seus inimigos. A Unidade que mais atende os alunos da USP, dotada de cursos bem avaliados até pelos duvidosos critérios de produtividade atuais, é uma massa desordenada de concreto com salas superlotadas e realmente inseguras. Mas ainda assim é a nossa Faculdade!
É inaceitável que um espaço dedicado á reflexão, ao trabalho, à política, às artes e também à recreação de seus jovens estudantes seja ameaçado pela força policial. Uma Universidade tem o dever de levar sua análise crítica ao limite porque é a única que pode fazê-lo. Seus equívocos devem ser corrigidos por ela mesma. Se ela é incapaz disso, não é mais uma universidade.
A USP não está fora da cidade e do país que a sustenta. Precisa sim de um plano de segurança próprio como outras instituições têm. Afinal, ninguém ousaria dizer que os congressistas de Brasília têm privilégios por não serem abordados e revistados por Policiais. A USP conta com entidades estudantis, sindicatos e núcleos que estudam a intolerância, a violência e a própria polícia.
Ela deve ter autonomia sim. Quando Florestan Fernandes foi preso em 1964, ele escreveu uma carta ao Coronel que presidia seu inquérito policial militar explicando-lhe que a maior virtude do militar é a disciplina e a do intelectual é o espírito crítico... Que alguns militares ainda não o saibam, é compreensível. Que dirigentes universitários o ignorem, é desesperador.
Lincoln Secco, Livre Docente em História Contemporânea na USP
Não é comum ver livros como armas. Enquanto no dia 27 de outubro de 2011 a imprensa mostrou os alunos da FFLCH da USP como um bando de usuários de drogas em defesa de seus privilégios, nós outros assistimos jovens indignados, mochila nas costas e livros empunhados contra policiais atônitos, armados e sem identificação, num claro gesto de indisciplina perante a lei. Vários alunos gritavam: “Isto aqui é um livro!”.
Curioso que a geração das redes sociais virtuais apresente esta capacidade radical de usar novos e velhos meios para recusar a violação de nossos direitos. No momento em que o conhecimento mais é ameaçado, os livros velhos de papel, encadernados, carimbados pela nossa biblioteca são erguidos contra o arbítrio.
Os policiais que passaram o dia todo da ultima quinta feira revistando alunos na biblioteca e nos pátios, poderiam ter observado no prédio de História e Geografia vários cartazes gigantes dependurados. Eram palavras de ordem. Algumas vetustas. Outras “impossíveis”. Muitas indignadas. E várias poéticas... É assim uma universidade.
A violação da nossa autonomia tem sido justificada pela necessidade de segurança e a imagem da FFLCH manchada pela ação deliberada dos seus inimigos. A Unidade que mais atende os alunos da USP, dotada de cursos bem avaliados até pelos duvidosos critérios de produtividade atuais, é uma massa desordenada de concreto com salas superlotadas e realmente inseguras. Mas ainda assim é a nossa Faculdade!
É inaceitável que um espaço dedicado á reflexão, ao trabalho, à política, às artes e também à recreação de seus jovens estudantes seja ameaçado pela força policial. Uma Universidade tem o dever de levar sua análise crítica ao limite porque é a única que pode fazê-lo. Seus equívocos devem ser corrigidos por ela mesma. Se ela é incapaz disso, não é mais uma universidade.
A USP não está fora da cidade e do país que a sustenta. Precisa sim de um plano de segurança próprio como outras instituições têm. Afinal, ninguém ousaria dizer que os congressistas de Brasília têm privilégios por não serem abordados e revistados por Policiais. A USP conta com entidades estudantis, sindicatos e núcleos que estudam a intolerância, a violência e a própria polícia.
Ela deve ter autonomia sim. Quando Florestan Fernandes foi preso em 1964, ele escreveu uma carta ao Coronel que presidia seu inquérito policial militar explicando-lhe que a maior virtude do militar é a disciplina e a do intelectual é o espírito crítico... Que alguns militares ainda não o saibam, é compreensível. Que dirigentes universitários o ignorem, é desesperador.
sexta-feira, 28 de outubro de 2011
segunda-feira, 24 de outubro de 2011
Data e edital da prova dos Professores temporários
A prova será aplicada no dia 30 de Outubro de 2011
conforme edital divulgado dia 20 de Outubro e segue abaixo o link para consulta:
sábado, 15 de outubro de 2011
Matriz Curricular do Ensino Médio
Debate na rede, publicado no site do Observatório da Educação
Ensino Médio
Proposta de mudança curricular do ensino médio paulista para 2012 ainda não está concluída
A apenas três meses do fim do ano letivo, a proposta de mudanças na Matriz Curricular do ensino médio para o ano que vem ainda não está concluída. Para aprovação da proposta, a Secretaria de Educação do Estado de São Paulo (SEE-SP) daria início a um amplo debate durante este mês de outubro.
Apesar de a própria SEE afirmar que o debate com o magistério é fundamental para o sucesso dessa proposta, professores avaliam que esse debate ainda não chegou às escolas de forma aprofundada. Procurada pelo Observatório, a Secretaria se limitou a informar que debates acontecerão, sem detalhar de que forma, e sem um calendário definido.
A proposta de mudança, publicada pela Coordenadoria de Estudos e Normas Pedagógicas, propõe principalmente uma distribuição equilibrada da carga horária entre as áreas do conhecimento, e a concentração por área no 3º ano. Assim, o aluno poderia optar por um percurso com ênfase em humanas, natureza ou linguagem. Entre outras mudanças há a criação da “orientação de estudos” e o ensino de espanhol, no 2º e 3º anos.
Um professor de Português da regional Centro Oeste de São Paulo, que não quis se identificar, afirmou que na sua escola os professores não sabem o que está acontecendo. “Na minha escola já deram como discutido. Durante a HTPC, depois de uma breve explicação, os professores assinaram um questionário pronto. É um assunto complexo que deveria estar sendo discutido o ano todo. Mas dois meses antes de dar o ano para começar, as pessoas jogam pras escolas discutirem isso em uma semana. Ninguém sabe o que está acontecendo”.
Também professora da rede, Regina Oshiro concorda: “o debate varia muito de escola para escola e região. Quando tomei contato com a proposta, na escola que leciono não havia informações, uma professora soube através de uma amiga que trabalha na região sul. Na última reunião de representantes de escola da Apeoesp foi possível perceber que há escolas onde o documento sequer chegou a ser trabalhado, em outras foi disponibilizado apenas parte dele e com maior raridade o documento na íntegra. A questão é que há muitas dúvidas que não conseguem ser respondidas por quem repassou as orientações na Diretoria de Ensino”.
Segundo a professora de História, os docentes desconhecem as mudanças. “A sensação da maioria dos professores é que há uma cortina de fumaça e que as decisões já estão tomadas, é apenas um faz-de-conta que o processo é democrático, infelizmente. Não tivemos tempo hábil para levar e debater essas informações com alunos e pais, ainda. Há uma preocupação de que forma esse debate será organizado junto à comunidade escolar, a mídia já tem explorado o assunto, de forma não esclarecedora, como quase sempre”.
Ainda que nas escolas esteja acontecendo alguma movimentação - mesmo que descompassada - a proposta não passou pelo Conselho Estadual de Educação de São Paulo (CEE-SP). Como descrito no blog “De Olho nos Conselhos”, a medida causou um mal estar, e levou o Conselho a criar um Grupo de Trabalho sobre o Ensino Médio. “Não gostaria mais de saber notícias da Secretaria pelo jornal, mereço mais respeito”, afirmou a conselheira Guiomar Namo de Melo na ocasião.
Menos aulas de Português e Matemática
O debate sobre as mudanças curriculares na imprensa focou a diminuição de aulas semanais de Português e Matemática, para o aumento do número de aulas de Física, Sociologia e Filosofia. A polêmica que se deu em torno disso pode ser explicada pela política para o Ensino Médio Estadual, que é balizada por meio de provas que focam principalmente essas duas matérias. É o que pensa uma parte da categoria dos professores, que é a favor de mais equidade entre as áreas. “Por que, afinal de contas, [as áreas] deveriam aparecer com pesos diferentes no currículo? Não tem justificativa teórica pra isso”, afirmou Eduardo Amaral, professor efetivo de Filosofia da Escola Estadual Profª Zuleika de Barros.
No boletim de outubro do “Coletivo APEOESP na escola e na luta”, do qual Eduardo faz parte, eles enfatizam a importância do equilíbrio entre as três áreas, além de apontar outras problemáticas que a proposta de mudança curricular não resolve: “as mudanças na matriz curricular ocorridas nos governos tucanos, sempre arbitrariamente, foram orientadas pelas políticas de avaliação externa que usam matemática e língua portuguesa como o indicador de qualidade educacional. Por isso essas disciplinas ganharam espaço em detrimento de aulas de filosofia, sociologia, história e geografia, vistas pelos ideólogos desse tipo de educação como menos importantes”.
A diminuição das aulas em questão não seria, assim, a questão central. Enquanto a Secretaria defende que o mais importante dessa proposta seria deixar a grade “mais interessante” ao focar na área de interesse no aluno, professores afirmam que isso causará um problema trabalhista para os docentes, em relação ao pagamento. Os professores recebem seu salário de acordo com o número de aulas que dão. Docentes de Português e Matemática são uma grande fatia do professorado, logo, essa proposta de diminuição de horas, leva muitos a uma situação de incerteza, pois não sabem se no próximo ano terão seu salário diminuído.
Luís Carlos de Menezes, professor associado do Instituto de Física da Universidade de São Paulo, aponta que “as mudanças propostas na matriz curricular para o Ensino Médio, ao pretender dar mais flexibilidade, em termos de tipo de escola e etapa escolar, precisariam de novos instrumentos de gestão, por exemplo, para a oferta de materiais instrucionais e demais subsídios, assim como para o acompanhamento regular do desempenho escolar”.
Insuficiente
“Mexer na grade é tirar o problema de lugar. É necessário um debate curricular mais profundo”, opinou outro professor da rede, Josafá Rehem, que também é diretor de escola municipal. “De maneira geral, na escola que eu trabalho e no sindicato a gente considera que qualquer tentativa de mudança é importante e esse elemento justificaria alterações. Mas essa alteração não passa pelo debate da grade. Esse debate é mais profundo, que diz respeito à juventude, mundo do trabalho, saúde”.
A professora Regina Oshiro também indica que a mudança é insuficiente para mudar as condições precárias da escola: “a SEE-SP, nas negociações sobre o Plano de Carreira não tem apontado que vai implantar a Lei 11.738/08 [Lei do Piso], que estabelece a jornada de 1/3 fora da sala de aula. A secretaria tem alegado que não há número suficiente de professores formados, com exceção de professores de Fundamental I. As duas horas de HTPC são insuficientes para um trabalho interdisciplinar”. Para Regina, se essas condições não forem alteradas, as dificuldades em se realizar um trabalho mais integrado persistirão.
Maria Izabel, presidenta da Apeoesp, publicou em seu blog considerações sobre as alterações no Ensino Médio Paulista, e nele cita a importância da participação docente no processo: “outro aspecto essencial refere-se às necessárias mudanças, que devem ocorrer no âmbito mais profundo do processo escolar – o preparo da equipe escolar, o que envolve a dimensão coletiva do trabalho pedagógico e as condições de jornada e trabalho dos professores e da equipe escolar. Sem isso, as alterações nos modos de se relacionar com o conhecimento, com o trabalho de ensinar e favorecer as aprendizagens e as vivências dos alunos e com o próprio desenvolvimento profissional da equipe fica paralisado.”
A presidenta também aponta para a ineficácia da proposta em abordar outras questões: “o ponto de partida dessa reestruturação é o diagnóstico inegável de que o EM paulista padece de inúmeros problemas quanto à qualidade e à atualidade da formação oferecida”. Para Izabel, o balanço deixa de fora problemas importantes que afetam a escola paulista: falta de autonomia para o estabelecimento do seu projeto político pedagógico; precariedade de infraestrutura; fragilidade de sua equipe pedagógica – “constituída por professores paulistas e que em grande parte não são concursados” -; imposição de um currículo engessado baseado em apostilas; precariedade das condições de trabalho e de salário dos seus profissionais, entre outros.
“Isso não vai alterar. Essa é a minha opinião. Ficar restrito a isso é insuficiente”, finaliza Rehem.
Leia também: “A sensação da maioria dos professores é que a decisão já está tomada”, diz docente da rede sobre mudanças no ensino médio em SP"
Ensino Médio
Proposta de mudança curricular do ensino médio paulista para 2012 ainda não está concluída
A apenas três meses do fim do ano letivo, a proposta de mudanças na Matriz Curricular do ensino médio para o ano que vem ainda não está concluída. Para aprovação da proposta, a Secretaria de Educação do Estado de São Paulo (SEE-SP) daria início a um amplo debate durante este mês de outubro.
Apesar de a própria SEE afirmar que o debate com o magistério é fundamental para o sucesso dessa proposta, professores avaliam que esse debate ainda não chegou às escolas de forma aprofundada. Procurada pelo Observatório, a Secretaria se limitou a informar que debates acontecerão, sem detalhar de que forma, e sem um calendário definido.
A proposta de mudança, publicada pela Coordenadoria de Estudos e Normas Pedagógicas, propõe principalmente uma distribuição equilibrada da carga horária entre as áreas do conhecimento, e a concentração por área no 3º ano. Assim, o aluno poderia optar por um percurso com ênfase em humanas, natureza ou linguagem. Entre outras mudanças há a criação da “orientação de estudos” e o ensino de espanhol, no 2º e 3º anos.
Um professor de Português da regional Centro Oeste de São Paulo, que não quis se identificar, afirmou que na sua escola os professores não sabem o que está acontecendo. “Na minha escola já deram como discutido. Durante a HTPC, depois de uma breve explicação, os professores assinaram um questionário pronto. É um assunto complexo que deveria estar sendo discutido o ano todo. Mas dois meses antes de dar o ano para começar, as pessoas jogam pras escolas discutirem isso em uma semana. Ninguém sabe o que está acontecendo”.
Também professora da rede, Regina Oshiro concorda: “o debate varia muito de escola para escola e região. Quando tomei contato com a proposta, na escola que leciono não havia informações, uma professora soube através de uma amiga que trabalha na região sul. Na última reunião de representantes de escola da Apeoesp foi possível perceber que há escolas onde o documento sequer chegou a ser trabalhado, em outras foi disponibilizado apenas parte dele e com maior raridade o documento na íntegra. A questão é que há muitas dúvidas que não conseguem ser respondidas por quem repassou as orientações na Diretoria de Ensino”.
Segundo a professora de História, os docentes desconhecem as mudanças. “A sensação da maioria dos professores é que há uma cortina de fumaça e que as decisões já estão tomadas, é apenas um faz-de-conta que o processo é democrático, infelizmente. Não tivemos tempo hábil para levar e debater essas informações com alunos e pais, ainda. Há uma preocupação de que forma esse debate será organizado junto à comunidade escolar, a mídia já tem explorado o assunto, de forma não esclarecedora, como quase sempre”.
Ainda que nas escolas esteja acontecendo alguma movimentação - mesmo que descompassada - a proposta não passou pelo Conselho Estadual de Educação de São Paulo (CEE-SP). Como descrito no blog “De Olho nos Conselhos”, a medida causou um mal estar, e levou o Conselho a criar um Grupo de Trabalho sobre o Ensino Médio. “Não gostaria mais de saber notícias da Secretaria pelo jornal, mereço mais respeito”, afirmou a conselheira Guiomar Namo de Melo na ocasião.
Menos aulas de Português e Matemática
O debate sobre as mudanças curriculares na imprensa focou a diminuição de aulas semanais de Português e Matemática, para o aumento do número de aulas de Física, Sociologia e Filosofia. A polêmica que se deu em torno disso pode ser explicada pela política para o Ensino Médio Estadual, que é balizada por meio de provas que focam principalmente essas duas matérias. É o que pensa uma parte da categoria dos professores, que é a favor de mais equidade entre as áreas. “Por que, afinal de contas, [as áreas] deveriam aparecer com pesos diferentes no currículo? Não tem justificativa teórica pra isso”, afirmou Eduardo Amaral, professor efetivo de Filosofia da Escola Estadual Profª Zuleika de Barros.
No boletim de outubro do “Coletivo APEOESP na escola e na luta”, do qual Eduardo faz parte, eles enfatizam a importância do equilíbrio entre as três áreas, além de apontar outras problemáticas que a proposta de mudança curricular não resolve: “as mudanças na matriz curricular ocorridas nos governos tucanos, sempre arbitrariamente, foram orientadas pelas políticas de avaliação externa que usam matemática e língua portuguesa como o indicador de qualidade educacional. Por isso essas disciplinas ganharam espaço em detrimento de aulas de filosofia, sociologia, história e geografia, vistas pelos ideólogos desse tipo de educação como menos importantes”.
A diminuição das aulas em questão não seria, assim, a questão central. Enquanto a Secretaria defende que o mais importante dessa proposta seria deixar a grade “mais interessante” ao focar na área de interesse no aluno, professores afirmam que isso causará um problema trabalhista para os docentes, em relação ao pagamento. Os professores recebem seu salário de acordo com o número de aulas que dão. Docentes de Português e Matemática são uma grande fatia do professorado, logo, essa proposta de diminuição de horas, leva muitos a uma situação de incerteza, pois não sabem se no próximo ano terão seu salário diminuído.
Luís Carlos de Menezes, professor associado do Instituto de Física da Universidade de São Paulo, aponta que “as mudanças propostas na matriz curricular para o Ensino Médio, ao pretender dar mais flexibilidade, em termos de tipo de escola e etapa escolar, precisariam de novos instrumentos de gestão, por exemplo, para a oferta de materiais instrucionais e demais subsídios, assim como para o acompanhamento regular do desempenho escolar”.
Insuficiente
“Mexer na grade é tirar o problema de lugar. É necessário um debate curricular mais profundo”, opinou outro professor da rede, Josafá Rehem, que também é diretor de escola municipal. “De maneira geral, na escola que eu trabalho e no sindicato a gente considera que qualquer tentativa de mudança é importante e esse elemento justificaria alterações. Mas essa alteração não passa pelo debate da grade. Esse debate é mais profundo, que diz respeito à juventude, mundo do trabalho, saúde”.
A professora Regina Oshiro também indica que a mudança é insuficiente para mudar as condições precárias da escola: “a SEE-SP, nas negociações sobre o Plano de Carreira não tem apontado que vai implantar a Lei 11.738/08 [Lei do Piso], que estabelece a jornada de 1/3 fora da sala de aula. A secretaria tem alegado que não há número suficiente de professores formados, com exceção de professores de Fundamental I. As duas horas de HTPC são insuficientes para um trabalho interdisciplinar”. Para Regina, se essas condições não forem alteradas, as dificuldades em se realizar um trabalho mais integrado persistirão.
Maria Izabel, presidenta da Apeoesp, publicou em seu blog considerações sobre as alterações no Ensino Médio Paulista, e nele cita a importância da participação docente no processo: “outro aspecto essencial refere-se às necessárias mudanças, que devem ocorrer no âmbito mais profundo do processo escolar – o preparo da equipe escolar, o que envolve a dimensão coletiva do trabalho pedagógico e as condições de jornada e trabalho dos professores e da equipe escolar. Sem isso, as alterações nos modos de se relacionar com o conhecimento, com o trabalho de ensinar e favorecer as aprendizagens e as vivências dos alunos e com o próprio desenvolvimento profissional da equipe fica paralisado.”
A presidenta também aponta para a ineficácia da proposta em abordar outras questões: “o ponto de partida dessa reestruturação é o diagnóstico inegável de que o EM paulista padece de inúmeros problemas quanto à qualidade e à atualidade da formação oferecida”. Para Izabel, o balanço deixa de fora problemas importantes que afetam a escola paulista: falta de autonomia para o estabelecimento do seu projeto político pedagógico; precariedade de infraestrutura; fragilidade de sua equipe pedagógica – “constituída por professores paulistas e que em grande parte não são concursados” -; imposição de um currículo engessado baseado em apostilas; precariedade das condições de trabalho e de salário dos seus profissionais, entre outros.
“Isso não vai alterar. Essa é a minha opinião. Ficar restrito a isso é insuficiente”, finaliza Rehem.
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