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segunda-feira, 9 de abril de 2012

Ditadura iniciou devastação física e pedagógica da escola


Para Chauí, ditadura iniciou devastação física e pedagógica da escola pública

Chauí, que “fechou as portas para a mídia” e diz não conceder entrevistas desde 2003, falou com o editor da Revista do Brasil, Paulo Donizetti de Souza, após palestra feita no lançamento da escola 28 de de Agosto, iniciativa do Sindicato dos Bancários de São Paulo que elogiou por projetar cursos de administração que resgatem conteúdos críticos e humanistas dos quais o meio universitário contemporâneo hoje se ressente.
Quais foram os efeitos do regime autoritário e seus interesses ideológicos e econômicos sobre o processo educacional do Brasil?
Vou dividir minha resposta sobre o peso da ditadura na educação em três aspectos. Primeiro: a violência repressiva que se abateu sobre os educadores nos três níveis, fundamental, médio e superior. As perseguições, cassações, as expulsões, as prisões, as torturas, mortes, desaparecimentos e exílios. Enfim, a devastação feita no campo dos educadores. Todos os que tinham ideias de esquerda ou progressistas foram sacrificados de uma maneira extremamente violenta.
Em segundo lugar, a privatização do ensino, que culmina agora no ensino superior, começou no ensino fundamental e médio. As verbas não vinham mais para a escola pública, ela foi definhando e no seu lugar surgiram ou se desenvolveram as escolas privadas. Eu pertenço a uma geração que olhava com superioridade e desprezo para a escola particular, porque ela era para quem ia pagar e não aguentava o tranco da verdadeira escola. Durante a ditadura, houve um processo de privatização, que inverte isso e faz com que se considere que a escola particular é que tem um ensino melhor. A escola pública foi devastada, física e pedagogicamente, desconsiderada e desvalorizada.
E o terceiro aspecto?
A reforma universitária. A ditadura introduziu um programa conhecido como MEC-Usaid, pelo Departamento de Estado dos Estados Unidos, para a América Latina toda. Ele foi bloqueado durante o início dos anos 1960 por todos os movimentos de esquerda no continente, e depois a ditadura o implantou. Essa implantação consistiu em destruir a figura do curso com multiplicidade de disciplinas, que o estudante decidia fazer no ritmo dele, do modo que ele pudesse, segundo o critério estabelecido pela sua faculdade. Os cursos se tornaram sequenciais. Foi estabelecido o prazo mínimo para completar o curso. Houve a departamentalização, mas com a criação da figura do conselho de departamento, o que significava que um pequeno grupo de professores tinha o controle sobre a totalidade do departamento e sobre as decisões. Então você tem centralização. Foi dado ao curso superior uma característica de curso secundário, que hoje chamamos de ensino médio, que é a sequência das disciplinas e essa ideia violenta dos créditos. Além disso, eles inventaram a divisão entre matérias obrigatórias e matérias optativas. E, como não havia verba para contratação de novos professores, os professores tiveram de se multiplicar e dar vários cursos.
“Fazer uma universidade comprometida com o que se passa na realidade social e política se tornou uma tarefa muito árdua e difícil”
Houve um comprometimento da inteligência?
Exatamente. E os professores, como eram forçados a dar essas disciplinas, e os alunos, a cursá-las, para terem o número de créditos, elas eram chamadas de “optatórias e obrigativas”, porque não havia diferença entre elas. Depois houve a falta de verbas para laboratórios e bibliotecas, a devastação do patrimônio público, por uma política que visava exclusivamente a formação rápida de mão de obra dócil para o mercado. Aí, criaram a chamada licenciatura curta, ou seja, você fazia um curso de graduação de dois anos e meio e tinha uma licenciatura para lecionar. Além disso, criaram a disciplina de educação moral e cívica, para todos os graus do ensino. Na universidade, havia professores que eram escalados para dar essa matéria, em todos os cursos, nas ciências duras, biológicas e humanas. A universidade que nós conhecemos hoje ainda é a universidade que a ditadura produziu.
Essa transformação conceitual e curricular das universidade acabou sendo, nos anos 1960, em vários países, um dos combustíveis dos acontecimentos de 1968 em todo mundo.
Foi, no mundo inteiro. Esse é o momento também em que há uma ampliação muito grande da rede privada de universidades, porque o apoio ideológico para a ditadura era dado pela classe média. Ela, do ponto de vista econômico, não produz capital, e do ponto de vista política, não tem poder. Seu poder é ideológico. Então, a sustentação que ela deu fez com que o governo considerasse que precisava recompensá-la e mantê-la como apoiadora, e a recompensa foi garantir o diploma universitário para a classe média. Há esse barateamento do curso superior, para garantir o aumento do número de alunos da classe média para a obtenção do diploma. É a hora em que são introduzidas as empresas do vestibular, o vestibular unificado, que é um escândalo, e no qual surge a diferenciação entre a licenciatura e o bacharelato.
Foi uma coisa dramática, lutamos o que pudemos, fizemos a resistência máxima que era possível fazer, sob a censura e sob o terror do Estado, com o risco que se corria, porque nós éramos vigiados o tempo inteiro. Os jovens hoje não têm ideia do que era o terror que se abatia sobre nós. Você saía de casa para dar aula e não sabia se ia voltar, não sabia se ia ser preso, se ia ser morto, não sabia o que ia acontecer, nem você, nem os alunos, nem os outros colegas. Havia policiais dentro das salas de aula.
Houve uma corrente muito forte na década de 60, composta por professores como Aziz Ab’Saber,  Florestan Fernandes, Antonio Candido, Maria Vitória Benevides, a senhora, entre outros, que queria uma universidade mais integrada às demandas da comunidade. A senhor tem esperança de que isso volte a acontecer um dia?
Foi simbólica a mudança da faculdade para o “pastus”, não é campus universitário, porque, naquela época, era longe de tudo: você ficava em um isolamento completo. A ideia era colocar a universidade fora da cidade e sem contato com ela. Fizeram isso em muitos lugares. Mas essa sua pergunta é muito complicada, porque tem de levar em consideração o que o neoliberalismo fez: a ideia de que a escola é uma formação rápida para a competição no mercado de trabalho. Então fazer uma universidade comprometida com o que se passa na realidade social e política se tornou uma tarefa muito árdua e difícil.
“Esse é o momento também em que há uma ampliação muito grande da rede privada de universidades, porque o apoio ideológico para a ditadura era dado pela classe média”
Não há tempo para um conceito humanista de formação?
É uma luta isolada de alguns, de estudantes e  professores, mas não a tendência da universidade.
Hoje, a esperança da formação do cidadão crítico está mais para as possibilidades de ajustes curriculares no ensino fundamental e médio? Ou até nesses níveis a educação forma estará comprometida com a produção de cabeças e mãos para o mercado?
Na escola, isso, a formação do cidadão crítico, não vai acontecer. Você pode ter essa expectativa em outras formas de agrupamento, nos movimentos sociais, nos movimentos populares, nas ONGs, nos grupos que se formam com a rede de internet e nos partidos políticos. Na escola, em cima e em baixo, não. Você tem bolsões, mas não como uma tendência da escola.
(Da Rede Brasil Atual)

NOTA DA INTERSINDICAL, MES E CANDIDATOS OPOSIÇÃO METALÚRGICA

NOTA DA INTERSINDICAL, MES E CANDIDATOS DA CHAPA 3-OPOSIÇÃO METALÚRGICA

9 de abril de 2012
INTERSINDICAL

Resposta ao PSTU Niterói
NOTA DA INTERSINDICAL, MES E CANDIDATOS DA CHAPA 3-OPOSIÇÃO METALÚRGICA
Estarrecedora a nota publicada no site do PSTU sobre os acontecimentos envolvendo o processo eleitoral do Sindicato dos Metalúrgicos de Niterói. Como disse um companheiro numa outra situação envolvendo notas deste partido, pareceu-nos, a princípio, obra de algum hacker contratado pela chapa da CUT, que entrou no site do PSTU e colocou uma série mentiras a fim de destruir a chapa de oposição.
Infelizmente, mais uma vez não foi obra de um hacker, e sim manobras de alguns dirigentes do PSTU. E isso configura um fato muito grave para a esquerda brasileira, pois demonstra até que ponto a degeneração stalinista de mentir, caluniar e distorcer fatos corrompeu os métodos dos irresponsáveis que escreveram a referida nota.
Vários de nós tiveram dúvidas se deveríamos responder agora essa nota irresponsável, pois, ao contrário do PSTU, não queremos produzir armas e munição para a CUT atacar nossa chapa, que é composta por vários companheiros de luta, comprometidos única e exclusivamente com os interesses da categoria e com o projeto de transformação do Sindicato dos Metalúrgicos de Niterói em uma entidade de luta, combativa, autônoma e independente dos patrões, dos governos e dos partidos. Mas diante da caluniosa campanha contra os dirigentes das nossas organizações não tivemos como adiar essa resposta.
Aos fatos.
No dia 28/03, a comissão eleitoral dirigida pela CUT impugnou sete candidatos da nossa chapa, tentando nos tirar de uma eleição que no voto venceremos, se a eleição não enveredar para a fraude completa, e se a Conlutas parar de criar problemas para a chapa da oposição.
Naquela mesma noite (dia 28/03) fizemos uma reunião com o dirigente do PSTU Miguel Malheiros, “responsável” pelo setor deles na chapa de oposição. Saímos da reunião com um acordo de que o advogado indicado por eles entraria no outro dia na justiça para garantir a candidatura dos “impugnados” e, se até o prazo estabelecido pelo edital que convocou a eleição, não tivéssemos sucesso na medida judicial, a chapa iria substituir os candidatos impugnados. Restou acertado, também, que os dois campos da chapa deveriam providenciar candidatos suficientes para garantir a substituição.
Dos sete impugnados, seis foram indicados pelo campo da Conlutas e um do nosso campo. Cabe lembrar, também, que dos sete impugnados, cinco são aposentados.
O advogado indicado pela Conlutas só ingressou com a medida cautelar dois dias depois, na sexta-feira. O prazo para eventuais regularizações estabelecido pelo edital que convocou a eleição terminava na segunda-feira, dia 02/04. 
As 11h da manhã da segunda-feira, dia 02/03, prazo final de regularização, três advogados e dirigentes da Intersindical, MES e Unidos pra Lutar, fomos para o TRT da cidade acompanhar o andamento do processo. Lá encontramos o advogado indicado pela Conlutas que ingressara com o pedido de medida cautelar. Este advogado, na presença de outra advogada militante do PSTU, nos afirmou que a decisão judicial poderia ser qualquer coisa, principalmente porque o juiz que até então acompanhava o processo se declarou incompetente e determinou a redistribuição do processo.
O advogado indicado pela Conlutas afirmou, ainda, que diante daquela situação, o correto seria substituir os candidatos impugnados, fazendo uma ressalva na ata de substituição garantindo que, caso a justiça concedesse o registro aos impugnados, a substituição seria anulada.
Esse procedimento, aliás, é muito comum em situações como esta.
Qual não foi nossa surpresa ao saber que mesmo assim o PSTU não aceitava cumprir o acordo de fazer a substituição, colocando em risco a possibilidade de a chapa concorrer e, muito mais grave, colocando em risco de demissão os candidatos que estão na ativa (20 companheiros) sem estes sequer terem o direito de disputar o pleito.
Nosso setor preparou um documento com a assinatura da maioria da chapa exigindo a substituição dos impugnados.
Faltando cerca de uma hora para terminar o prazo estabelecido pelo edital que convocou a eleição, fomos à sede do PSTU Niterói para conversar com o candidato a presidente da chapa (ligado à Conlutas) e chamá-lo à responsabilidade. Fomos acompanhados dos quatro candidatos que assinam essa nota, de três advogados e dos dirigentes da Intersindical e Unidos (os companheiros do MES ficaram preparando os últimos documentos necessários para a substituição).
Naquele momento, o encabeçador da chapa, ligado à Conlutas, precisava ir ao sindicato levar os documentos dos sete substitutos e ele mesmo faria a ressalva na ata, garantindo que caso a justiça garantisse a candidatura dos até então impugnados, a substituição também seria automaticamente anulada, como orientara o advogado da Conlutas (e também os nossos advogados).
Na sede do PSTU, conversamos tranquilamente por alguns minutos com o encabeçador da chapa que pediu para ligar para o advogado dele. Durante essa ligação, e temendo que o companheiro cedesse ao bom senso, os dirigentes do PSTU - Satanás e Tavares - com muita truculência, chegaram para nos expulsar de sua sede. Fomos expulsos e saímos.
Nossos advogados permaneceram e reuniram-se, por mais de uma hora na sede deles, com os dirigentes do PSTU, com dois candidatos da Conlutas presentes e o advogado deles, que chegara junto com Satanás e Tavares.
Essa foi, rigorosamente, a sucessão dos fatos que se deu com nossa ida à sede daquele partido. Não tínhamos e não temos nenhuma razão para, como eles mentirosamente disseram, “invadir” a sede deles. Fomos apenas tentar garantir o acordo que tínhamos feito com o PSTU, para que nossa chapa de oposição tivesse resguardado o seu direito de concorrer, em qualquer situação, com ou sem decisão judicial favorável.
A importância do Sindicato dos Metalúrgicos de Niterói e Itaboraí
O Sindicato dos metalúrgicos com sede em Niterói representa os trabalhadores dos estaleiros da região, da indústria naval em pleno crescimento. O reaquecimento do setor levou a um expressivo aumento do número de trabalhadores, colocando-nos o desafio de reorganizar uma nova vanguarda de militantes, sem as frustrações do descenso dos anos 90.
Outro aspecto importante é que este sindicato irá representar os metalúrgicos de Itaboraí, onde fica localizado o COMPERJ, um imenso empreendimento que tem a perspectiva de gerar 300.000 empregos diretos e indiretos. Lembramos também que mesmo antes do seu funcionamento, o COMPERJ já tem sido palco de greves e de mobilização dos trabalhadores da construção civil. Sinal de que temos que estar preparados para as lutas de novo setor militante que está surgindo.
A vitória de uma chapa combativa para o Sindicato de Metalúrgicos de Niterói e Itaboraí é parte da construção de uma nova direção para o movimento dos trabalhadores no Brasil. Por isso, achamos fundamental a unidade daqueles que defendem um sindicalismo combativo e de luta. A unidade não pode ser usada apenas como retórica ou autoproclamação. A unidade tem que se dar no respeito ao peso real na categoria, respeitando os acordos políticos e a vontade da maioria da chapa e da categoria. Não se constrói a unidade com autoritarismo, nem tampouco com calúnias e difamações. A história já nos provou isso.
INTERSINDICAL
MES - Movimento de Esquerda Socialista
E os membros da chapa 3 que foram conosco à sede do PSTU
José Batista Jr – Secretário-Geral da Chapa 3.
Marcelo Oliveira – Secretário Finanças da Chapa 3.
Nélio Botelho – Secretário Política sindical da Chapa 3.
Paulo Teixeira – candidato a diretor da chapa 3 (indicado para a chapa pela Conlutas).

segunda-feira, 2 de abril de 2012

Pais e estudantes acusam escola melhor avaliada de SP de fraude


Alunos da escola estadual com índice 9,3 - em escala de 0 a 10 - relatam que tiveram ajuda de professoras na prova

Marina Morena Costa

A nota da escola estadual Reverendo Augusto da Silva Dourado no Idesp, índice de qualidade da rede de ensino paulista, impressiona: 9,3 em uma escala de 0 a 10. O desempenho da unidade localizada em um pequeno distrito de Sorocaba ultrapassa o dobro da média das turmas do 5º ano do ensino fundamental de São Paulo, 4,24. Uma simples visita à vizinhança, no entanto, foi suficiente para o iG descobrir algo errado nessa conta. Quatro dos vinte e sete estudantes que fizeram o Saresp, prova de português e matemática que compõem o Idesp, relataram que tiveram ajuda dos professores durante a avaliação - docentes que têm o bônus condicionado ao Idesp da escola.
Foto: Marina Morena Costa/iG
Escola Reverendo Augusto da Silva Dourado com a maior nota no Idesp no Estado de São Paulo: 9,3

“Quando a resposta estava errada, a professora mostrava o erro. Às vezes ela dava a resposta, ou falava para a gente reler o texto com mais atenção”, relata H.L.S.S., de 10 anos, que se formou na escola no ano passado e fez parte da turma bem avaliada no Saresp. De acordo com o boletim da escola, todos os estudantes tiraram a nota máxima em matemática e 81% tiveram desempenho avançado em português.

Minha filha teve bastante dificuldade na escola nova e até faz reforço. Se o ensino fosse bom, ela não precisaria"
Alessandra da Silva, mãe de aluna com nota 10
Alessandra Vidal da Silva, de 32 anos, mãe de Sabrina, de 12 anos, formada em 2011, diz que estudantes que faltaram no dia de aplicação do Saresp tiveram a prova feita por professores. “Minha filha teve bastante dificuldade na escola nova (6º ano do ensino fundamental) e até faz reforço. Se o ensino fosse bom, ela não precisaria disso, né?”, questiona a dona de casa.
Colegas de Sabrina na turma de 2011 confirmam as suspeitas de fraude. “Tinha algumas perguntas que eu não sabia responder, mas a professora confirmou”, conta L.A.S.R, de 12 anos. L.H.S. de 13 anos, que repetiu dois anos, diz que as dúvidas dos alunos eram respondidas durante a prova.

Leia também: Só três escolas de ensino médio tiveram nota maior que 5 em SP

Cercada por ruas de terra e casas de madeira e alvenaria, a escola estadual Reverendo Augusto da Silva Dourado está localizada em um distrito industrial de Sorocaba, cidade a 100 km de São Paulo. Com cerca de 70 alunos e apenas as cinco primeiras séries do ensino fundamental, lembra a realidade de outras escolas campeãs no Saresp: poucos alunos por sala de aula (média de 14) e proximidade com os pais de alunos. Em 2010, a escola teve Idesp 6,07. No ano seguinte, saltou para o topo – a segunda maior nota obtida foi 8,95, em Araras, e a primeira da capital 7,43. Já no Índice Nacional da Educação Básica, do Ministério da Educação, seu desempenho ficou abaixo da média estadual e do município, em 4,5.


Foto: Marina Morena Costa/iG
Bairro de ocupação em que fica a escola que, segundo alunos, fraudou Idesp
Grande parte dos alunos é moradora do Jardim Iporanga 2, uma área ocupada vizinha à escola que está em processo de legalização com a prefeitura. Na comunidade, todos comentam sobre a ajuda extra que os estudantes supostamente tiveram no Saresp. “As crianças chegaram falando que a professora deu um monte de respostas. Teve um que só escreveu o nome e ela fez a prova”, conta Josilene Neide dos Santos, de 24 anos, mãe de uma aluna da educação infantil, que funciona no mesmo prédio da Reverendo Augusto da Silva Dourado.

Sem investigar, secretaria diz que nota está certa

A Secretaria de Educação de São Paulo, avisada pelo iG dos depoimentos, afirma que a denúncia não procede, pois, de acordo com seus registros, professores de outras escolas aplicaram o Saresp na Reverendo Augusto da Silva Dourado. Apesar das denúncias dos estudantes e dos pais, a pasta não abrirá sindicância.
Ainda de acordo com a Secretaria, “para a realização da avaliação é contrata uma empresa terceirizada que elabora e fiscaliza a realização do exame, com fiscais presentes em sala de aula. Além disso, dois pais voluntários participaram da fiscalização, circulando pela unidade, e não relataram nenhuma irregularidade”.

segunda-feira, 26 de março de 2012

Para especialistas, 7,5% do PIB não são suficientes para educação



Para especialistas, 7,5% do PIB não são suficientes para educação


A destinação de 7,5% do Produto Interno Bruto (PIB) para a Educação não será suficiente para atender a padrões mínimos de qualidade no ensino previstos no próprio Plano Nacional de Educação (PNE – Projeto de Lei 8035/2010), na avaliação de professores e coordenadores de movimentos ligados à educação que participaram ontem (20/03), de audiência pública na comissão especial que discute o PNE.

De acordo com o deputado Ivan Valente, a falta de investimento e os baixos salários são a causa do atraso brasileiro na educação. “E destinar menos de 10% vai continuar com qualidade mínima na educação. O problema é muito grave”. Na opinião do deputado, falta é vontade política para melhorar o sistema educacional do Brasil. “Poderíamos dar um salto, mas nesses moldes vai-se morrer na praia”.
Ivan Valente afirmou que vai tentar levar o debate do projeto do PNE ao plenário da Câmara, para que não seja concluído na comissão especial. Para ele, o governo federal esqueceu do PNE e esta tratando de outros assuntos que considera mais importantes. “Precisa-se ganhar novamente a visibilidade ao PNE, pra mídia, pro governo e pra sociedade”.
A Comissão Especial resolveu convidar o ministro da Fazenda, Guido Mantega, a participar de audiência pública para debater o PNE.
Para os especialistas que participaram do debate, ao elaborar seu substitutivo, o relator, deputado Angelo Vanhoni (PT/PR), incorporou entre os indicadores para mensuração da qualidade do ensino uma referência chamada Custo Aluno-Qualidade inicial (CAQi), mas para atender ao padrão, o investimento do PIB deveria chegar a 10%. Para Vanhoni, aplicar 7,5% do PIB na educação é suficiente para fazer uma revolução no setor
O CAQi é um indicador de quanto deveria ser investido por aluno com base no custo de insumos e materiais didáticos considerados essenciais para o aprendizado, no número adequado de alunos por turma e na remuneração de professores, entre outros fatores.
Esse indicador foi elaborado com base em estudos da Campanha Nacional pelo Direito à Educação e, de acordo com o coordenador da campanha, Daniel Cara, qualquer estudo sério conclui que é necessário investir pelo menos 10% do Produto Interno Bruto (PIB) para melhorar a qualidade do ensino no País. “Uma decisão diferente dessa é política, e isso deve ficar claro para a população”, declarou.
Custo por alunoO CAQi prevê que o custo total a ser gasto por aluno na creche é de cerca de R$ 7,5 mil, e os valores para estudantes da pré-escola ao ensino médio varia de R$ 2,9 a R$ 2,7 mil reais. Segundo o coordenador da Campanha pelo Direito à Educação, os valores são muito distantes dos que são aplicados pelo Ministério da Educação (MEC) especialmente em creche (cerca de R$ 2,3 mil, em 2009). Daniel acrescentou que o CAQi é um primeiro passo para que o País possa chegar ao padrão de qualidade propriamente dito, que é o Custo Aluno-Qualidade (CAQ).
O professor da Universidade Federal de Goiás (UFG), Nelson Cardoso Amaral, apontou que os valores investidos atualmente pelo Brasil em educação também são muito inferiores aos montantes destinados ao setor em países desenvolvidos. Segundo ele, ao decidir o percentual do PIB que pode destinar para a educação é preciso estar consciente que, quanto menos se investir, mais longo será o caminho até a excelência.
De acordo com Amaral, se o País aplicar 10% do PIB, a partir desse PNE, atingirá padrões próximos aos países da Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE), que é de 6 mil dólares por aluno, entre 2020 e 2030. Se forem aplicados 8% do PIB, informou ele, esse patamar será atingido entre 2030 e 2040 e, se for aplicado 7%, só se aproximará dos valores investidos pelas nações ricas entre 2040 e 2050.
O professor da Universidade de São Paulo (USP), José Marcelino Rezende Pintor, afirmou que, para que as metas do PNE sejam efetivamente cumpridas, o investimento do PIB no setor deve chegar a 10,7% em 2020. Segundo ele, o Ministério da Educação “errou” ao fazer as contas e apontar o investimento necessário de 7% do PIB para alcançar os indicadores apontados no PNE. De acordo com Marcelino, esse percentual corresponderia à necessidade de investimento apenas para 2012. “Além disso, a comissão sequer foi municiada com planilhas para entender as contas”, alertou.
O integrante do Conselho do Movimento Todos pela Educação, Mozart Neves Ramos, sugeriu que os parlamentares peçam as contas feitas pelo Executivo para chegar à conclusão de que 7% do PIB são suficientes para financiar a educação até 2020. Ramos destacou que o País colocou como meta do Ideb a nota 6 (que era o desempenho da Comunidade Europeia em 2005), mas aplica apenas cerca de 1/3 do montante investido pelos países europeus em ensino. Na Europa, informou ele, são cerca de R$ 9 mil por aluno, enquanto no Brasil, em 2010, esse valor ficou por volta de R$ 3,5 mil.
* Com informações da Agência Câmara.

terça-feira, 20 de março de 2012

RS: sob vaias, reajuste abaixo do piso do magistério é aprovado

RS: sob vaias, reajuste abaixo do piso do magistério é aprovado
20 de março de 2012  21h06  atualizado às 22h35

Professores apresentaram um 'cartão vermelho' aos deputados que defenderam a aprovação do projeto. Foto: Marcos Eifler/Agência ALRS/Divulgação
Professores apresentaram um 'cartão vermelho' aos deputados que defenderam a aprovação do projeto
Foto: Marcos Eifler/Agência ALRS/Divulgação

Após quase seis horas de debates, os deputados estaduais do Rio Grande do Sul aprovaram na noite desta terça-feira, por 29 votos a zero, o reajuste de 22,5% aos professores. A votação foi marcada por troca de acusações entre parlamentares da oposição e da base aliada do governo e por vaias dos educadores, que criticam o reajuste abaixo do piso nacional de R$ 1.451,00.
O Rio Grande do Sul paga o pior salário do País aos professores - cerca de R$ 800 para uma jornada de 40 horas semanais. A proposta aprovada prevê reajuste de 23,5% parcelado até fevereiro de 2013. O Centro dos Professores do Estado do Rio Grande do Sul (Cpers) havia proposto mais cedo que acataria o aumento se fosse pago em parcela única, e não em três partes, como determinou o governo, mas em reunião de líderes a proposta foi recusada e o projeto original foi votado.
Até hoje, a categoria não aceitava o percentual de reajuste, pois o aumento faz parte de um projeto para elevar o piso dos professores a R$ 1.260,00 em 2014. O sindicato discorda do valor e exige a implantação do piso nacional (R$ 1.451,00).
O deputado Frederico Antunes (PP) chegou a apresentar um requerimento para que fosse retirada a urgência da matéria, permitindo o diálogo entre o governo e a categoria, mas a proposta foi rejeitada. Os parlamentares da oposição criticaram o governador Tarso Genro (PT) por ter assinado a lei do piso em 2008 e prometido durante a campanha eleitoral que o salário dos professores seria cumprido até o fim do seu mandado.
Como não conseguiram conquistar a maioria (seriam 28 votos para que o projeto não fosse aprovado) os deputados da oposição deixaram o plenário no começo da votação. Durante a sessão, a Assembleia ainda aprovou a anistia aos docentes e funcionários que fizeram greve em 2011.
O líder do governo, Valdeci Oliveira (PT), defendeu o projeto aprovado e destacou que a categoria vai receber o maior reajuste dos últimos anos, sem nehnhuma modificação no plano de carreira.
Piso nacional
O novo piso dos professores foi anunciado no dia 27 de fevereiro e elevou o salário dos professores de R$ 1.187 para R$ 1.451. O valor estipulado para este ano acompanha o aumento do Fundo de Manutenção e Desenvolvimento da Educação Básica (Fundeb) de 2011 para 2012, conforme determina a legislação atual.
Além do Rio Grande do Sul, outros Estados e municípios alegam dificuldade financeira para pagar o valor determinado. Governadores reuniram-se com o presidente da Câmara dos Deputados, Marco Maia (PT-RS), e pediram a aprovação de um projeto de lei que altere o critério de correção do piso, que passaria a ser feito com base no Índice Nacional de Preços ao Consumidor (INPC), que mede a inflação.

sábado, 17 de março de 2012

Morre geógrafo Aziz Ab’Saber


Morreu na manhã desta sexta-feira (16) Aziz Nacib Ab’Saber, um dos mais respeitados geógrafos do País. Ab’Saber tinha 87 anos e morreu na casa dele, em Cotia (SP). Ele era presidente de honra da Sociedade Brasileira para o Progresso da Ciência (SBPC) e professor emérito da Faculdade de Filosofia, Letras e Ciências Humanas da Universidade de São Paulo (USP). 

A causa da morte ainda não foi oficialmente divulgada, mas as suspeitas são de parada cardíaca. O velório será realizado a partir das 19h no prédio da administração da FFLCH/USP e o enterro, no Cemitério da Paz, às 10 horas. A FFLCH/USP decretou luto de três dias. Aziz casou-se duas vezes, deixa duas filhas e seis netos.
 Nascido em São Luís do Paraitinga, em 1924, Ab'Saber foi autor de mais de 300 trabalhos acadêmicos e considerado referência da geografia em todo o mundo. É autor de estudos e teorias fundamentais para o conhecimento dos aspectos naturais do Brasil.Foi presidente da SBPC de 1993 a 1995 e desenvolveu trabalhos no Instituto de Estudos Avançados da Universidade de São Paulo (IEA/USP) até ontem. Foi autor também de diversos livros educativos sobre geografia, usados em diversos colégios.

Veja a repercussão: Legado de Ab'Saber vai durar muitos anos, diz ex-orientanda
“Por causa destes livros, o trabalho dele serviu de base até para o avanço do conhecimento de geografia no país”, disse ao iG Rute de Andrade, Secretária Geral da SBPC. “É uma contribuição única pela qualidade e abrangência. Ele descreveu o país a partir de viagens, onde associava geomorfologia, ecossistema e a formação dos ambientes”, disse.
Ab'Saber entregou ontem, o último capítulo de seu livro, “Leituras indispensáveis”, onde tecia comentários sobre artigos que considerava excelentes para a formação humana dos jovens. Nele Aziz fazia uma homenagem ao trabalho dos primeiros geógrafos no interior do Brasil, como José Veríssimo da Costa Pereira e Carlos Miguel, e às primeiras expedições de Candido Mariano da Silva Rondon, o Marechal Rondon (1865 a 1958). O terceiro volume do livro será lançado na reunião anual da SBPC que ocorre em julho em São Luís.
Leia também:
Aziz Ab'Sáber faz duras críticas ao Novo Código Florestal


O acadêmico era um grande entusiasta de que os jovens viajassem para conhecer o Brasil e assim pudessem tomar decisões sobre questões nacionais. A primeira atividade de Ab’Saber como aluno da Universidade de São Paulo foi uma excursão passou por Sorocaba, Itu, Salto, Campinas e retornou a São Paulo, em 1940. Ab’Saber afirmava que a partir daquela viagem, decidiu ser geógrafo.
Amazônia
Suas pesquisas sobre a Amazônia foram fundamentais para o que se convencionou chamar de a “Teoria dos Refúgios e Redutos”. Segundo essa teoria, durante a última glaciação, a Amazônia teria se reduzido a pequenas reservas.
Aziz também foi consultor ambiental do Partido dos Trabalhadores (PT), tornando-se próximo ao ex-presidente Lula. Nos últimos anos, no entanto, passou a criticar a postura do governo federal em relação ao Meio Ambiente, criticando questões como a transposição do Rio São Francisco, e o novo código Florestal. Na reunião da SBPC de 2010, em Natal foi combativo em relação ao novo Código Florestal, chegando a defender a criação do Código da Biodiversidade para contemplar a preservação das espécies animais e vegetais.
Pelo Twitter, o deputado estadual de São Paulo pelo PT, Rui Falcão, lamentou a morte de “Mestre Aziz, decano da geografia física no Brasil, nossos sentimentos para sempre”.
O MST também homenageou o geógrafo, afirmando em nota, que o MST perdia um grande amigo e colaborador. “O povo brasileiro perdeu um dos seus mais brilhantes estudiosos da área ambiental e da geografia de nosso território”.
Ao longo da carreira, Ab’Saber recebeu diversos prêmios como o Prêmio Jabuti em Ciências Humanas (1997 e 2005), eem Ciências Exatas (2007); o Prêmio Almirante Álvaro Alberto para Ciência e Tecnologia (1999), concedido pelo Ministério da Ciência e Tecnologia; a Medalha de Grão-Cruz em Ciências da Terra pela Academia Brasileira de Ciências; e o Prêmio Unesco para Ciência e Meio Ambiente (2001).